Tuesday, July 13, 2010

Dez

o poeta catarinense Victor da Rosa canta a o Dez um decassílabo de dez versos, assim:

riquelme impõe com seu ritmo destro
o jogo morto ou túmulo — lento
e com um golpe preciso e certo
o seu silêncio decreta o outro.


contraste definido pelo vento
dois passos de monótono domínio
futebol sem sobra: lâmina, pouco
só permanece o olho em movimento.



se sua presença predomina o mínimo
ainda mantém o drama do barroco.

3 comments:

Carlos André said...

Hola, Pola (alguém já deve ter feito esse trocadilho antes)

A mim me parece claro que Victor da Rosa usa como ponto de partida para seu poema os versos de "Ademir da Guia", de João Cabral de Melo Neto, dedicado ao ídolo do Palmeiras. É assim:

Ademir impõe com seu jogo
o ritmo do chumbo (e o peso),
da lesma, da câmara lenta,
do homem dentro do pesadelo.

Ritmo líquido se infiltrando
no adversário, grosso, de dentro,
impondo-lhe o que ele deseja,
mandando nele, apodrecendo-o

Ritmo morno, de andar na areia,
de água doente de alagados,
entorpecendo e então atando
o mais irrequieto adversário.

Abrazos.

srta.pola said...

oi Carlos! voce téim verdade, Victor me envío o poema con el messagem:

em verdade, é uma traição nacional, já que se trata de uma "cópia" de outro poema, de joão cabral, sobre ademir da guia (o Divino) um meio-campista muito lento que, por seu futebol raro, assim como riquelme, nunca se deu bem na seleção -

links muito poeticos, eu acho :)

Marcos said...

Estou atrasado nessa conversa, é fascinante como as linguagens do fut e da poesia se cruzam. Mas oportuno o Carlos André. Sem querer dar uma de chato, até por que sempre gostei do Riquelme e é legal ele merecer poema de brasileiro, como merece mesmo, e até por ser mais velho e ter saudades do Ademir, quero contar dele e de Joao Cabral. Ademir jogou 45 minutos da Copa de 74, na disputa do 3o. lugar, o suficiente para ser considerado o melhor brasileiro de um time que tinha Rivellino e Luis Pereira para jornalistas internacionais que fizeram a seleção do campeonato. Foi sacado no 2o. tempo por brilhar no 1o, perseguido pelo técnico pró establishment corrupto que foi Zagallo. A distância entre Riquelme e o magnífico Ademir é grande. Ademir era do nível de Rivellino, inspirador de Maradona, todos os brasileiros que os viram jogar, muitas vezes um contra o outro, reconhecem isso. Mas claro que menor do que a distancia entre o magnífico João Cabral e o Vitor, cujo poema a Riquelme tem seu valor. Nossa, falei demais!